Quando penso em definir alguma coisa, logo me vem a certeza que vivemos em um mundo onde pouquíssimas coisas podem ser definidas.
Verdades e mentiras são coisas opostas, qualquer dicionário assim as define, mas a nossa relação diária com o mundo, um dicionário não consegue traduzir.
As sensações decorrentes de cada emoção vivenciada são coisas por demais pessoais, e isto é particular.
As impressões que temos do nosso cotidiano passam pelos filtros que a nossa experiência de vida criou ao longo dos anos, portanto, um mesmo evento produz reações diversas nas pessoas.
Quando nos relacionamos com as pessoas em qualquer círculo é muito importante não perdermos isto de vista; temos que estar atentos aos nossos preconceitos para que estes não nos tornem cegos diante de certas evidências que se nos apresentam, e para as quais, muitas vezes nos fechamos totalmente.
Como fazemos amigos, e como nos relacionamos com eles?
As posições políticas do meu amigo são as mesmas de um colega de trabalho com o qual eu não me afinizo, mas qual dos dois me ofende mais?
Aí talvez resida um dos maiores perigos da não percepção do outro, aquele com o qual nós convivemos todos os dias muitas vezes até mais horas do que com nosso amigo ou nossos entes mais queridos. As nossas verdades direcionam a nossa vida, ditam as regras do nosso cotidiano e tudo isto foi assimilado por nós a partir das nossas mais distantes experiências, algumas começaram a ser formalizadas no berço de uma forma sutil, afinal aqueles a quem recorríamos nos nossos momentos de necessidade nos atendiam com a solicitude e a atenção que eles entendiam ser necessárias para cada uma das nossas queixas, e então, fomos assim interpretando cada um destes movimentos e armazenando estas informações, que hoje ditam as regras do nosso comportamento em muitos aspectos, e que por vezes estamos longe de compreender e relacionar com tempos tão distantes de nossa vida.
A característica marcante deste nosso mundo parece ser a crença que a maioria de nós tem, de sermos os donos da verdade, e defendemos com unhas e dentes os nossos pontos de vista, em nenhum momento nos ocorre que aquilo que nos alegra pode deprimir os outros?
Não existe um ser humano igual ao outro, somos criaturas distintas e, no entanto, tentam nos educar como se fossemos seres criados em uma linha de produção, onde todas as possibilidades existentes tenham sido elaboradas e projetadas segundo um molde criado por um engenheiro do universo, e que assim, todos podem receber uma mesma educação, moral, social, política e religiosa tornando-nos assim seres robotizados, sem dinâmica própria, com reações totalmente previsíveis e, portanto fácil de sermos controlados.
Não somos iguais em nada, nossos mecanismos de funcionamento nos tornam diferentes, vide questões de rejeição orgânica, transplantes, transfusões que não são possíveis até entre irmãos, pessoas que com o mesmo padrão de sangüinidade demonstram esta impossibilidade.
O nosso comportamento social retrata com muita clareza esta coisa das diferenças, não reagimos da mesma forma a eventos idênticos, não nos alegramos ou nos entristecemos pelas mesmas coisas, somos seres muito diferentes.
Temos incutido em nós a crença de que a igualdade é um sonho possível, e eu acredito ser este um bom sonho.
Mas que somente poderão ser realizados quando conseguirmos compreender as diferenças de cada um.
José Aparecido
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