quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Nosso menino

Cada dia que passa vai ficando mais difícil, tornando-se mais penoso executar a tarefa de ser pai e mãe ao mesmo tempo. O menino está grande, crescido e bem criado mas quem olhar atentamente pode perceber que ele sofre também por não ter mãe.


Quero resolver isso mas como? De que jeito? Se a lembrança de Maria ainda dói. Só de pensar me vem lágrimas que tento esconder em vão.


Maria foi meu tudo. Meu fôlego, meus braços, minha razão, minha vontade. Maria foi o nosso desejo de amar, de ter um filho. Maria foi o nosso sonho transformado em realidade que virou pesadelo. Maria se foi sem tê-lo visto e hoje ele chora por alguém que não conheceu.


O que sobrou de mim se dividiu em dois. Sou eu e sou ela então... logo, sou nada. Talvez se eu arrumasse alguém... talvez. Quem sabe ela poderia fazer as vezes de Maria. Bobagem! Igual a ela não aparece outra jamais. O menino não vai entender e eu não vou querer alguém que não possa ser quem ele precisa.


Enquanto isso vivo de Maria... e estou morrendo também. Nada de novo, só as mesmas lembranças culminando em morte.

Vou perecendo em vida, por duas vezes já quase morri, mas o menino me socorreu com o seu sorriso de vida. Um dia consigo. O menino não vai sofrer. Sofrimento ele tem hoje sem um pai inteiro cuja metade é a mãe morta.


O menino precisa de vida. Com a morte lhe transplanto vida, pela segunda vez. Morte lhe traz vida. Acho que ele não precisava mesmo de nós.


E eu preciso tanto de Maria.

Cida Martini

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