quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Poder da natureza

A hora só poderia ser esta, tudo neste momento cheirava a cumplicidade. Os dois ali naquela casa sozinhos; ele um simples entregador de mercadorias parado diante daquela mulher estranha que o olhava de uma maneira profunda, enquanto pegava a nota para assinar o recebimento da entrega.

Devolvendo a caneta as mãos que se tocam os olhos que se cruzam e uma força incontrolável que os arrebata um para os braços do outro. Nunca se viram, mas esta força estranha os tornando tão íntimos.

O temporal que se avizinha os trovões que cortam o céu, a chuva que vem de tal forma caudalosa que seria impossível naquele momento, a chegada de alguém.

As roupas que se arrancam, a entrega, o gozo, o prazer de forma incontida, a entrega tão profunda, como nada havia sido tão profundo em suas vidas.

Corpos rolando pelo tapete macio da pequena sala, os espasmos que chegam, a chuva que grita o seu poder abrindo as entranhas da terra, e tudo se esvai com um saciar dos líquidos que escoam, transformando secura em saciedade, calor em frescor, tensão em orgasmos.

É o prazer da criação devolvendo a vida à aridez das estruturas, que nada mais precisam para viver do que a entrega aos seus mais profundos sentimentos.

O afastamento, a surpresa, o rubor nas faces, fazendo-os recuarem de forma cansada, porém, sem palavras, sem desculpas, somente a restauração das vestimentas retrata a intimidade que ora se conclui, deixando num até logo uma saudade de algo que talvez jamais se repita.

A chuva fina que agora persiste, permite que o movimento retorne à vida daqueles que se esconderam de tão profícua dádiva da natureza.

José Aparecido

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